terça-feira, 20 de março de 2018

O LADRÃO E A LADRA


                                          
Estávamos no Parque Municipal de Belo Horizonte, quando um cidadão vinha ofegante correndo atrás de um ladrão que assaltava na feira hippie da Av. Afonso Pena. Ele conseguiu alcançar o ladrão que lhe estendeu a mão intentando enganá-lo. O cidadão mandou-o dar a volta e tirando do seu bolso uma caixa com o óculos roubados, mandou-o embora. Poucos minutos depois uma gritaria e uns dez policiais passaram por nós correndo e logo depois voltaram com o ladrão algemado e uma multidão aplaudindo o trabalho deles. “Muito bem!”


Apesar do número de policiais e da multidão ensandecida, o sujeito agrediu um dos policias deixando os sinais das suas unhas no seu braço.
Enquanto um policial revistava o sujeito, eu me aproximei dele e comecei a lhe falar do quanto ele era amado por Deus, ao que ele me respondeu prontamente: “Eu sei.” 
Olhei aqueles rostos felizes, delirantes com a prisão daquele jovem e minha lembrança penetrou as celas de um cárcere, escola para marginais. Lugar de violência que gera violência. Sabia também que logo, logo, aquele sujeito estaria novamente nas ruas, mais cheio de ódio e disposto até mesmo, quem sabe, a matar o cidadão que o perseguiu.



Mas o que mais gritava dentro de mim era a hipocrisia em que vive a nossa sociedade. Dos ladrões declarados, nos cuidamos contra eles como podemos, mas dos ladrões disfarçados não temos como nos esconder.



Naquela mesma semana estivemos no Shopping Estação de Belo Horizonte. Minhas cunhadas, estrangeiras, foram comprar dois botões de rosas para decorar um presente. Lá estava uma garota, arrumadinha, trabalhando, vendendo flores. Que lindo! Quem diria que ali estava uma ladra oportunista...



Minha cunhada lhe deu uma nota de cinquenta reais. Ela tomou a nota em sua mão, mas falou que não tinha troco, eu lhe estendi uma nota de dez reais, ela também disse que não tinha troco, meu marido então contou moedas e lhe deu exatamente o preço dos botões de rosa. Daí eu vi que ela estava com os cinquenta reais na mão como se fosse guardar, mas esperei que a minha cunhada pediria o seu dinheiro e me distraí. Saímos dali e logo depois, minha cunhada se deu conta de que a garota não tinha lhe devolvido os cinquenta reais, então voltou lá com seu irmão e um sobrinho e falou com a moça que ela não tinha devolvido o dinheiro... simplesmente ela negou deixando a minha cunhada, apesar de indignada, impotente. Como ela poderia provar que a vendedora não devolveu o seu dinheiro?
Aquela garota por certo, continua no seu trabalho “honesto,” roubando os mais confiantes, a final é vendedora no Shopping Estação.



Esta mesma sociedade que grita: “Pega o ladrão!” Talvez na sua grande maioria é ladrão oportunista “legal”: no Planalto; nas lojas; nas feiras; nos salões de beleza; nos serviços informais; nos transportes; aonde não?



“Pega o ladrão!” E todos eles olham para alguém que está correndo na rua...



17.03.2018
Guiomar Barba.








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quarta-feira, 14 de março de 2018

AS PROMESSAS DE DEUS


                                                         

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” Mateus 6.33.
Pr. Jair Rocha.

Tenho ouvido várias pessoas relatarem que tem “promessa de Deus” referentes a certas circunstâncias particulares, e portanto vivem uma expectativa, principalmente quando algumas dessas “promessas” teriam sido proferidas por algum “vaso” que Deus teria usado.

Não sou cético, não sou incrédulo. Eu creio que Deus fala hoje, quer pela sua Palavra Escrita, quer através de pessoas, quer diretamente ao nosso ouvido interior ou como bem lhe aprouver falar, de tal forma que sua palavra fará aquilo que Lhe apraz (Isaías 55:11).

Como sempre, há um uso equivocado das Escrituras, ou um uso iníquo, maligno como o próprio maligno usou ao tentar Jesus, e esse uso, muito frequentemente, busca fortalecer uma fé cujo fundamento é areia e não a Rocha levando pessoas incautas a se valer de promessa das Escrituras que diziam respeito a pessoas específicas ou a Israel ou a outros povos em circunstâncias específicas, exclusivas.

Devemos compreender que as promessas de Deus registradas nas Escrituras, muitas que já se cumpriram nos ensinam sobre princípios que regem o caráter de Deus, como por exemplo: sua fidelidade, poder e soberania para cumprir o que efetivamente promete. E os princípios sobre os quais Deus age, esses são imutáveis como Ele é imutável.

Fica evidente que grande parte das promessas não dizem respeito a Igreja mas estavam circunscritas a evolução da história contexto preparatório ao surgimento da Igreja, povo de Deus, herdeiros da fé de Abraão, sua descendência espiritual (em número como as estrelas do céu e como os grãos de areia da praia) a ele prometida. Para essa descendência estão escritas várias promessas coletivas e individuais muitas já historicamente cumpridas e algumas cujo cumprimento esperamos.

Precisamos aprender a distinguir promessas cumpridas como conteúdos de princípios que, esses dizem respeito a nós: “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não em baixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir” Deuteronômio 28:13

Levantemos então algumas questões pertinentes:
• O diácono Estêvão morto por apedrejamento era desobediente aos mandamentos, estava por cima ou por baixo, era cauda ou cabeça?
• Os apóstolos Pedro e Paulo martirizados no final do seu ministério e a Igreja dizimada pelo imperador Nero eram cabeça ou cauda, estavam por cima ou por baixo, eram desobedientes aos mandamentos?
• Mais recentemente no século XIV, Jonh Huss queimado vivo em uma fogueira era cabeça ou cauda, estava por cima ou por baixo?
• Conforme dados levantados pelo Pr. James Kennedy, cerca de 40 milhões de pessoas martirizadas ao longo da história da igreja do Senhor Jesus eram cauda ou cabeça, estavam por cima ou por baixo, foram desobedientes aos mandamentos?

Teria então Deus falhado na sua promessa para com os obedientes filhos da fé de Abraão?

A falta de estudo sério e comprometido da Bíblia é a razão porque muitas pessoas cedem facilmente ao ensino falso de que os salvos por Jesus não sofrem, não passam privações e em tudo são vitoriosas materialmente, sempre cabeça e não cauda, sempre por cima e não por baixo.

O verso 13 de Deuteronômio 28 nos ensina o resultado de andar com Deus e ser perfeito em razão do amor a Deus e na esperança da vida que há de vir prefigurada pela caminhada de Israel no deserto e pela vida que deveria viver sob bênção na terra da promessa. Várias outras promessas nos revelam a fidelidade incondicional de Deus e as promessas que dizem respeito a esta vida sempre nos ensinam obediência também incondicional tendo como resultante a provisão necessária tal como em Mateus 6:33.

O mandamento de Jesus dado após enfatizar o cuidado de Deus, tem como consequência natural a provisão: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça” ... (mandamento) “e as demais coisas vos serão acrescentadas” (provisão). Há que haver esforço de conhecimento e de busca. O que é o Reino de Deus, o que é a sua justiça a serem buscados?

A priori duas coisas interessantes nos chama a atenção em relação ao Reino de Deus; a primeira delas é a certeza de que esse reino não é deste mundo (João 18:36) e a outra é que o reino não é comida e nem bebida mas “gozo, paz e alegria no Espírito Santo” Romanos 14:17. Outra coisa tem a ver com a justiça do reino cujo termo “justiça” no sentido original vai além da questão legal como conhecemos em nossa cultura, mas com o ordenamento de todas as coisas, tanto valores morais, como equilíbrio das forças da natureza, preservação da vida, etc.

Buscar o reino de Deus e a sua justiça significa viver a piedade cristã e essa vivência permite experimentar o seu conteúdo que são duas promessas: uma para esta vida (“se alguém me ama guardará a minha palavra e Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos morada” João. 14:23; João 14:16-18), e outra promessa para a vida que há de vir: “vou preparar-vos lugar. Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver vocês estejam também” João14:1. É assim que o apóstolo Paulo escreveu ao pastor Timóteo (I Timóteo 4:8). Portanto, da parte de Deus essas são as promessas essenciais e indispensáveis.


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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



“A MINHA GRAÇA TE BASTA, PORQUE O PODER SE APERFEIÇOA NA
FRAQUEZA” 
II Cor. 12:9

No exercício da sua fé o apóstolo Paulo já havia experimentado muitas maravilhas procedentes do Reino Celestial. Foi chamado pelo próprio Cristo glorificado em uma teofania; viu anjos fazendo pesadas grades de prisão se abrirem; por sua ação viu enfermos sendo curados; reprendeu espíritos imundos e assim libertou cativos; por sua palavra viu centenas de pessoas rendidas ao senhorio de Cristo. Mas quando quis exercer sua fé, e utilizar sua experiência em benefício pessoal descobriu pela voz de Deus que a graça do Pai lhe seria indescritivelmente melhor do que a solução de um inquietante desconforto, provavelmente no corpo.  
  

Quase dois mil anos são decorridos desde as narrativas do apóstolo e ainda hoje a graça, para alguns privilegiados, tem sido concedida como alternativa à solução de graves incômodos, a despeito da fé que leva o portador a reivindicar o alívio.

SACRIFÍCIO VERSUS A GRAÇA.

Sim, Deus fala hoje!
Certo jovem, no desfrute do seu progresso profissional, em vias de uma almejada promoção, vivenciando o mel do princípio da vida conjugal com uma bela esposa, repentinamente se depara com o que, para qualquer pessoa em momento semelhante da vida, seria uma trágica e terrível guinada.


Sem saber, o jovem matinha hibernando em seu corpo, talvez por anos, um micro organismo portador de virulência devastadora. O mal despertou e se alojou em sua coluna danificando circuitos nervosos controladores de todos os músculos desde o abdômen até os pés, provocando avassaladora e irreversível paralisia, e desequilíbrio emocional. Intercorrência desestruturadora não somente pessoal mas dos relacionamentos da vida em todos os seus aspectos.


A fé religiosa e a medicina seriam a esperança possível. Familiares, a irmandade da fé, os amigos, profissionais da saúde, todos mobilizados em orações e ações na busca de uma solução; desejo frustrado até agora.


O jovem casal descobriu e passou a vivenciar o amargo gosto de uma indispensável e radical readequação ao modus vivendi, inclusive experienciando o comportamento dos, por assim dizer, “amigos de Jó”, além do dilema entre a abdicação da fé religiosa e a busca por amadurecer na compreensão das nuances da fé procedente de Deus.
Firmado na fé como única esperança, o jovem a ela se rende dedicando-se por três longos meses a intensa disciplina de reclusão, jejum, oração, meditação, leitura de autores cristãos e tudo o que nos seus limites era possível na tentativa de arrancar do Deus para quem nada é impossível, a graça da almejada cura.  Reunião de culto, ministração de cura tudo incluso no cardápio sob incentivo da irmandade e tudo resultando em dolorosa frustração. A cura não veio. 


A cura não veio, mas veio uma provisão marcante, não pensada e não buscada mas dentro de um contexto e em uma circunstância emocional e espiritual que sou completamente incapaz de descrever, mas que todavia, pelo que ouvi do jovem, (“ouvi no meu coração: FOI POR AMOR TUDO O QUE VOCÊ FEZ?”) me remete ao que disse o Deus todo poderoso:  “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meu caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. Porque assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” Is. 55:8-11 . Sim, o Jovem recebeu uma provisão da graça que como o martelo do lapidador de uma pedra preciosa deixou visível por enquanto ainda, apenas uma face das muitas que determinarão a beleza e a raridade da joia de valor imensurável que o sábio artífice certamente intentou produzir do que ao entendimento humano é tão somente desventura.  


“A MINHA GRAÇA TE BASTA, PORQUE O PODER SE APERFEIÇOA NA FRAQUEZA”. 


Pr. Jair Rocha.
Fevereiro 2017

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018


Meu filho tinha apenas 16 aninhos de idade quando escreveu este texto. Na foto acima ele estava saindo de casa aos 18 anos, para assumir um cargo administrativo, em uma empresa em Aracaju - Se.


                              NADA TER, TUDO POSSUIR
                             Deus que responde, Deus que vê.


Ultimamente tenho vivido muito afastado de uma vida de piedade e busca intensa por ver a Deus, conhecer mais a Deus. Mais certo dia eu estava por acaso, mexendo no baú onde guardamos os livros da minha mãe, e enquanto eu sacava os livros, mostrava a ela, e como ela já tinha lido a maioria, me dizia se era bom, ou ruim... certa hora eu mostrei a ela um livreto do grande Caio Fábio, sua reação foi imediata: “Esse é maravilhoso!” Eu tinha em minhas mãos o livreto “Nada Ter tudo Possuir...”. Comecei a lê-lo na noite seguinte. O conteúdo não me agradou tanto, porém, o título ficou guardado em minha memória. Forte, chamativo, no mínimo, à primeiro instante leva-nos a uma profunda viagem nos pensamentos. Quem pode contrariar a veracidade desta frase aparentemente inacabada? É muito difícil afirmar que nada temos, porém tudo possuímos.
Quando Jó estava na sarjeta, havia perdido toda a sua riqueza e mais nada tinha aparentemente, ele podia dizer: “Nada mais tenho, minhas riquezas o SENHOR levou, mas possuo a alegria de pertencer ao Deus que é dono por excelência de tudo que outrora me pertencia.
Muitas vezes quando olhamos ao nosso redor e vemos os ímpios prosperando materialmente enquanto nós, crentes, vemos muitas vezes nossas vidas financeiras irem de mal a pior, cometemos a tolice de cair na mesmice da obsessão e das angústias que nos possuem por causa das injustiças que vemos ou que nos fazem, porque ficamos só olhando na direção delas. “Confia no Senhor e faze o bem.” “Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração.” Nada temos, mas possuímos a promessa de Deus que deu toda aquela riqueza e sabedoria a Salomão. Quer mais que isso? Então “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará. “Eleva os teus olhos para os montes, pois é de lá que vem o teu socorro. Depois que você fizer tudo isso, você pode dizer que não tem nenhum bem material, mas possui a paz, alegria, amor, graça força e salvação em Jesus Cristo, e isso é um bem mais que durável. Louvado seja o Nome do Senhor.


Renato Barba Cavalcanti

Camaragibe, 07 de julho de 2005




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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"AVE MARIA, CHEIA DE GRAÇA" ou "SALVE, AGRACIADA"


Durante os festejos natalinos e de final de ano, em celebrações evangélicas, muitas mensagens passaram pelos púlpitos, palanques e circularam nas redes sociais. Muito se falou sobre as cenas bíblicas do Natal, sobre José, o pai adotivo, sobre Maria, a bendita mãe do Salvador Jesus, a manjedoura, os anjos, etc. Mensagens preciosas, cheias da inspiração do alto, por isso que extraídas da Palavra de Deus. Mas, aconteceram outras também. Nesse pequeno artigo quero arguir algumas afirmações que não se harmonizaram com as Escrituras mas, mesmo assim, foram ovacionadas, curtidas e compartilhadas por muitos:

1) Que a alocução "salve, agraciada...", proferida pelo anjo Gabriel em sua saudação a Maria (Lucas 1.28), corresponda à reza católica "Ave Maria, cheia de graça". Não, não corresponde; são diametralmente opostas, com a ressalva: Só a primeira é bíblica, a segunda é uma reza desalinhada do ensino dos apóstolos, que, em sua extensão, afirma ainda ser Maria “mãe de Deus” e intercessora dos pecadores. Nenhuma dessas expressões é bíblica ou pode ser igualada à singela saudação angelical “salve, agraciada”.

2) Que a expressão "Ave Maria, cheia de graça" seja uma oração. Não, não é uma oração, mas uma reza. E há sensível diferença entre reza e oração. Por exemplo, só para citar uma diferença: Na oração modelo (Mateus 6.9-13) Jesus ensina como orar, não o quê orar.

3) Que a expressão "Ave Maria, cheia de graça" vem integralmente da Bíblia. Em hipótese alguma, vem da idolatria do catolicismo romano, é estranha à lição das testemunhas originais, e, ipso facto, não se harmoniza com a doutrina dos apóstolos, que deve ser a doutrina da igreja (Atos 2.42).

Já de antanho temos sido injustamente acusados por líderes católicos de adulteração da Bíblia. Vertemos, por exemplo, a saudação do anjo Gabriel por “salve, agraciada”, enquanto eles a vertem por "Ave Maria, cheia de graça”. A acusação é falsa e fácil de ser desfeiteada. Por que? Ora, a Bíblia é um livro que tem originais... Aliás, nenhum outro livro, na história da humanidade, é tão documentado quanto a Bíblia. Por isso, acusações desse tipo são facilmente pilhadas. Colaciona-se original e versão...simples assim. Nunca houve uma tal adulteração nas "bíblias protestantes". A verdade é bem outra. Por exemplo, esse famoso texto da saudação angelical teve sua lição original alterada, sim, mas na tradução chamada Vulgata, a versão oficial da Igreja Católica. As testemunhas do Novo Testamento usadas por Jerônimo, o tradutor católico, têm esta lição: "Χαῖρε, κεχαριτωμένη..." Cháire, kecharitoméne; lit.: "alegra-te, favorecida"! Foi essa a saudação do anjo Gabriel, que nem usou o nome Maria, nem lhe conferiu o múnus de “cheia de graça”, como consta da Vulgata, mas saudou-a elogiosamente por "agraciada...". Aliás, o grande teólogo batista A. T. Robertson (1863-1934) verteu a expressão por “altamente favorecida”.

“Agraciada...” é a leitura das testemunhas originais. O grego κεχαριτωμένη kecharitoméne é um particípio passivo do verbo χαριτόω charitóo, favorecer, dotar. Como o verbo está na voz passiva, a tradução literal é: ser favorecida com graça, ou, ser dotada com graça. Observe pela semelhança das letras (o leitor que não lê grego) que a palavra graça (gr. χάρις cháris) está embutida no verbo χαριτόω charitóo.
 Pergunto: De onde vem a adulteração? Quem corrompeu o texto? Foi a Vulgata. Ao traduzir esse texto, Jerônimo, além de relegar a importância da construção passiva, em oposição ao autor inspirado, introduziu no texto a expressão “Ave, gratia plena ...", salve, plena de graça, ou, salve, cheia de graça. Assim, o tradutor católico, a seu próprio talante, subtraiu a lição do hagiógrafo, corrompeu-a, e passou a afirmar que Maria, a mãe do Salvador, tem poder para conceder graça. Mas a Escritura afirma ser ela receptora da graça [gr. κεχαριτωμένη].

"Cheia de graça..." não existe nas Escrituras, a não ser no sentido de uma pessoa ter sido favorecida com graça (voz passiva), ser enchida com graça (voz passiva), como é o caso da mãe do Salvador, e nosso também, no mesmo sentido, como João, o apóstolo, garantiu: Todos nós "recebemos graça” de Jesus (João 1.16). Somos receptores, não concessores.

 "Cheio de graça". Se aceitamos por verdade inerrante o testemunho das Escrituras, só Jesus é “cheio de graça”. Ele é a graça que “foi manifestada [no Natal] trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2.11). O apóstolo João fala explicitamente sobre isso: "O Verbo [Jesus] se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade" (João 1.14).

 “Cheio de graça...” gr. πλήρης χάριτος pléres cháritos. Diferentemente da expressão κεχαριτωμένη kecharitoméne, “agraciada”, o apóstolo João define Jesus com o adjetivo πλήρης pléres, cheio + o genitivo χάριτος cháritos, de graça. Jesus, e somente ele, é "cheio de graça". Todos nós "recebemos” dele, da plenitude dele, “graça sobre graça" (João 1.16). Inclusive Maria, a bendita mãe do nosso Salvador Jesus.

Portanto, "cheia de graça" e "agraciada" são expressões diametralmente opostas. Maria, entendendo muito bem isso, respondeu em seu cântico: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva" (Lucas 1.46-48). Ela recebeu graça, a graça de se tornar a mãe do Filho de Deus, o homem Jesus.

As igrejas estão cheias de pessoas que querem ouvir o que agrada aos ouvidos (2Timóteo 4.3,4), não importa se a doutrina é apostólica ou não. E alguns líderes se deixam seduzir por aquilo que enaltece, que produz elogios, que atrai, mas não convence do pecado. Só há uma verdade a ser pregada: a Palavra de Deus, que nem sempre agrada. Paulo ensina ao pastor Tito e a nós: “Tu, porém, fala o convém à sã doutrina” (Tito 2.1).

Autor 

Pastor Pedro Moura

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O VERDADEIRO NATAL

                              

Festas, alegrias, risos, cânticos, danças, cores, brilhos, luzes, presentes, confraternização, pressa, compras, doações, generosidades, afagos, abraços, felicitações, saudações, olhares altruístas, mesas, comidas, jantares, encontros, lembranças, cartões, enfeites, ornamentação, brindes, família em reunião calorosa, cerimonias, comemoração, solenidade, rituais, músicas nostálgicas....

Embora sazonais, temporais, anuais, derivam do epicentro da causa causadora: uma Pessoa que renunciou o aconchego do seu lar-além, paraíso indescritível, glória inefável, para viver entre mortos, mortos de desejos, mortos de pecados, mortos de violência, mortos sem paz

Todavia esse natal que se consome é periférico.

Natal não é impessoal, não é um evento, não é uma data de clima sócio religioso.
Natal é uma Pessoa que É, Esta, que vive, que é presente, em todo tempo, em cada momento.

Natal é a presença de Alguém que veio ficar conosco, sem razão, sem restrição, para cada um, para todos, para quem crer, quem aceita, para quem deseja o bem.
Natal é todo dia, em todas as horas, minutos, segundos... vai além do tempo, é eterno que se temporiza, que nos eleva, nos leva, nos constrange para o lar, lar-além, na eternidade onde natal nunca para, nunca se desmancha em carnaval, em páscoa; prevalece sobre todos, sobre tudo.

Natal é uma Pessoa, é Verbo, é Leão e Testemunha fiel, é o Santo de Deus, é O que era, O que é e O que há de vir, o Todo Poderoso, o Alfa, o Ômega, o Princípio e o Fim.
É o Rei dos reis, Senhor dos senhores, que governa, e para quem convergem todas as coisas.

Natal é o Emanoel que diz eis-me aqui!

Natal é JESUS que venceu a morte, que perdoa, que salva, que muda, que liberta.
Que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Por Jaasiel Jairo Rocha.
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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

                                                                       
                           



                        Salmos 4.1-8
Responde-me quando clamo, ó Deus que me faz justiça! Dá-me alívio da minha angústia; Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
Até quando vocês, ó poderosos, ultrajarão a minha honra? Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras?
Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar.
Quando vocês ficarem irados, não pequem; ao deitar-se reflitam nisso, e aquietem-se.
Ofereçam sacrifícios como Deus exige e confiem no Senhor.
Muitos perguntam: "Quem nos fará desfrutar o bem? " Faze, ó Senhor, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!
Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho.
Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.

Remoendo o Salmo 4

Quando passamos por lutas e provações, podemos nos lembrar de que em ocasiões passadas, mesmo, no meio da angústia, já estivemos bem e atravessamos tempos sombrios. Podemos confiar na misericórdia de Deus. Por isso, oremos confiantemente ao Deus que nos aceita e não rejeita nossas orações, certos de que somos ouvidos e atendidos.

Sempre houve e haverá aqueles que não acreditam na força do bem e no poder do amor. Mas, em meio à descrença, você e eu podemos esperar nas manifestações graciosas de Deus, e no seu olhar luminoso sobre nossas vidas. Se inimigos nos difamam, transformando nossa honra em desonra, entendamos que o amor dos homens via de regra é direcionado àquilo que é vão e fútil e seus motivos não são baseados na verdade. Precisamos sempre entender que Deus trata com singularidade aqueles que o servem com inteireza de coração, e podemos estar convictos de que Deus nos ouve cada vez que clamamos por Ele.

Quando alguma situação constrangedora nos provoca ira e revolta, façamos um autoexame para ver se temos alguma responsabilidade na situação. Resolvamos o que tem que ser resolvido, mas não direcionemos a energia da ira contra nós mesmos, nem contra pessoas e nem contra Deus.

Infelizmente, aqueles que se recusam a andar com o Senhor, não terão muito mais que um sorriso plástico, mesmo quando desfrutam fartura e prazeres. No entanto, o coração de quem comunga com o Pai, goza alegria verdadeira, e experimenta a força dessa alegria nascida dEle.

Para não perder esse bendito gozo, tratemos o que em nossa vida tem de falho e tem que ser tratado, mas descansemos em paz. Lidemos com a ira, acordados; ira dormida se torna em mágoa, às vezes profunda, e não podemos dormir com essa inimiga. Ao mesmo tempo, estejamos também conscientes de que muitos dos nossos problemas podem ser tratados nos dias seguintes.

Assim, cuidemos do nosso coração e da relação com nosso Deus e com nosso próximo, confiemos totalmente nEle, e durmamos. Não há melhor sonífero do que um coração em paz, um corpo cansado de atividades honrosas e uma grande confiança em Deus, que nos faz viver e dormir seguros."

 Por Valmir Brisola         
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