quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



“A MINHA GRAÇA TE BASTA, PORQUE O PODER SE APERFEIÇOA NA
FRAQUEZA” 
II Cor. 12:9

No exercício da sua fé o apóstolo Paulo já havia experimentado muitas maravilhas procedentes do Reino Celestial. Foi chamado pelo próprio Cristo glorificado em uma teofania; viu anjos fazendo pesadas grades de prisão se abrirem; por sua ação viu enfermos sendo curados; reprendeu espíritos imundos e assim libertou cativos; por sua palavra viu centenas de pessoas rendidas ao senhorio de Cristo. Mas quando quis exercer sua fé, e utilizar sua experiência em benefício pessoal descobriu pela voz de Deus que a graça do Pai lhe seria indescritivelmente melhor do que a solução de um inquietante desconforto, provavelmente no corpo.  
  

Quase dois mil anos são decorridos desde as narrativas do apóstolo e ainda hoje a graça, para alguns privilegiados, tem sido concedida como alternativa à solução de graves incômodos, a despeito da fé que leva o portador a reivindicar o alívio.

SACRIFÍCIO VERSUS A GRAÇA.

Sim, Deus fala hoje!
Certo jovem, no desfrute do seu progresso profissional, em vias de uma almejada promoção, vivenciando o mel do princípio da vida conjugal com uma bela esposa, repentinamente se depara com o que, para qualquer pessoa em momento semelhante da vida, seria uma trágica e terrível guinada.


Sem saber, o jovem matinha hibernando em seu corpo, talvez por anos, um micro organismo portador de virulência devastadora. O mal despertou e se alojou em sua coluna danificando circuitos nervosos controladores de todos os músculos desde o abdômen até os pés, provocando avassaladora e irreversível paralisia, e desequilíbrio emocional. Intercorrência desestruturadora não somente pessoal mas dos relacionamentos da vida em todos os seus aspectos.


A fé religiosa e a medicina seriam a esperança possível. Familiares, a irmandade da fé, os amigos, profissionais da saúde, todos mobilizados em orações e ações na busca de uma solução; desejo frustrado até agora.


O jovem casal descobriu e passou a vivenciar o amargo gosto de uma indispensável e radical readequação ao modus vivendi, inclusive experienciando o comportamento dos, por assim dizer, “amigos de Jó”, além do dilema entre a abdicação da fé religiosa e a busca por amadurecer na compreensão das nuances da fé procedente de Deus.
Firmado na fé como única esperança, o jovem a ela se rende dedicando-se por três longos meses a intensa disciplina de reclusão, jejum, oração, meditação, leitura de autores cristãos e tudo o que nos seus limites era possível na tentativa de arrancar do Deus para quem nada é impossível, a graça da almejada cura.  Reunião de culto, ministração de cura tudo incluso no cardápio sob incentivo da irmandade e tudo resultando em dolorosa frustração. A cura não veio. 


A cura não veio, mas veio uma provisão marcante, não pensada e não buscada mas dentro de um contexto e em uma circunstância emocional e espiritual que sou completamente incapaz de descrever, mas que todavia, pelo que ouvi do jovem, (“ouvi no meu coração: FOI POR AMOR TUDO O QUE VOCÊ FEZ?”) me remete ao que disse o Deus todo poderoso:  “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meu caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. Porque assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” Is. 55:8-11 . Sim, o Jovem recebeu uma provisão da graça que como o martelo do lapidador de uma pedra preciosa deixou visível por enquanto ainda, apenas uma face das muitas que determinarão a beleza e a raridade da joia de valor imensurável que o sábio artífice certamente intentou produzir do que ao entendimento humano é tão somente desventura.  


“A MINHA GRAÇA TE BASTA, PORQUE O PODER SE APERFEIÇOA NA FRAQUEZA”. 


Pr. Jair Rocha.
Fevereiro 2017

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018


Meu filho tinha apenas 16 aninhos de idade quando escreveu este texto. Na foto acima ele estava saindo de casa aos 18 anos, para assumir um cargo administrativo, em uma empresa em Aracaju - Se.


                              NADA TER, TUDO POSSUIR
                             Deus que responde, Deus que vê.


Ultimamente tenho vivido muito afastado de uma vida de piedade e busca intensa por ver a Deus, conhecer mais a Deus. Mais certo dia eu estava por acaso, mexendo no baú onde guardamos os livros da minha mãe, e enquanto eu sacava os livros, mostrava a ela, e como ela já tinha lido a maioria, me dizia se era bom, ou ruim... certa hora eu mostrei a ela um livreto do grande Caio Fábio, sua reação foi imediata: “Esse é maravilhoso!” Eu tinha em minhas mãos o livreto “Nada Ter tudo Possuir...”. Comecei a lê-lo na noite seguinte. O conteúdo não me agradou tanto, porém, o título ficou guardado em minha memória. Forte, chamativo, no mínimo, à primeiro instante leva-nos a uma profunda viagem nos pensamentos. Quem pode contrariar a veracidade desta frase aparentemente inacabada? É muito difícil afirmar que nada temos, porém tudo possuímos.
Quando Jó estava na sarjeta, havia perdido toda a sua riqueza e mais nada tinha aparentemente, ele podia dizer: “Nada mais tenho, minhas riquezas o SENHOR levou, mas possuo a alegria de pertencer ao Deus que é dono por excelência de tudo que outrora me pertencia.
Muitas vezes quando olhamos ao nosso redor e vemos os ímpios prosperando materialmente enquanto nós, crentes, vemos muitas vezes nossas vidas financeiras irem de mal a pior, cometemos a tolice de cair na mesmice da obsessão e das angústias que nos possuem por causa das injustiças que vemos ou que nos fazem, porque ficamos só olhando na direção delas. “Confia no Senhor e faze o bem.” “Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração.” Nada temos, mas possuímos a promessa de Deus que deu toda aquela riqueza e sabedoria a Salomão. Quer mais que isso? Então “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará. “Eleva os teus olhos para os montes, pois é de lá que vem o teu socorro. Depois que você fizer tudo isso, você pode dizer que não tem nenhum bem material, mas possui a paz, alegria, amor, graça força e salvação em Jesus Cristo, e isso é um bem mais que durável. Louvado seja o Nome do Senhor.


Renato Barba Cavalcanti

Camaragibe, 07 de julho de 2005




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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"AVE MARIA, CHEIA DE GRAÇA" ou "SALVE, AGRACIADA"


Durante os festejos natalinos e de final de ano, em celebrações evangélicas, muitas mensagens passaram pelos púlpitos, palanques e circularam nas redes sociais. Muito se falou sobre as cenas bíblicas do Natal, sobre José, o pai adotivo, sobre Maria, a bendita mãe do Salvador Jesus, a manjedoura, os anjos, etc. Mensagens preciosas, cheias da inspiração do alto, por isso que extraídas da Palavra de Deus. Mas, aconteceram outras também. Nesse pequeno artigo quero arguir algumas afirmações que não se harmonizaram com as Escrituras mas, mesmo assim, foram ovacionadas, curtidas e compartilhadas por muitos:

1) Que a alocução "salve, agraciada...", proferida pelo anjo Gabriel em sua saudação a Maria (Lucas 1.28), corresponda à reza católica "Ave Maria, cheia de graça". Não, não corresponde; são diametralmente opostas, com a ressalva: Só a primeira é bíblica, a segunda é uma reza desalinhada do ensino dos apóstolos, que, em sua extensão, afirma ainda ser Maria “mãe de Deus” e intercessora dos pecadores. Nenhuma dessas expressões é bíblica ou pode ser igualada à singela saudação angelical “salve, agraciada”.

2) Que a expressão "Ave Maria, cheia de graça" seja uma oração. Não, não é uma oração, mas uma reza. E há sensível diferença entre reza e oração. Por exemplo, só para citar uma diferença: Na oração modelo (Mateus 6.9-13) Jesus ensina como orar, não o quê orar.

3) Que a expressão "Ave Maria, cheia de graça" vem integralmente da Bíblia. Em hipótese alguma, vem da idolatria do catolicismo romano, é estranha à lição das testemunhas originais, e, ipso facto, não se harmoniza com a doutrina dos apóstolos, que deve ser a doutrina da igreja (Atos 2.42).

Já de antanho temos sido injustamente acusados por líderes católicos de adulteração da Bíblia. Vertemos, por exemplo, a saudação do anjo Gabriel por “salve, agraciada”, enquanto eles a vertem por "Ave Maria, cheia de graça”. A acusação é falsa e fácil de ser desfeiteada. Por que? Ora, a Bíblia é um livro que tem originais... Aliás, nenhum outro livro, na história da humanidade, é tão documentado quanto a Bíblia. Por isso, acusações desse tipo são facilmente pilhadas. Colaciona-se original e versão...simples assim. Nunca houve uma tal adulteração nas "bíblias protestantes". A verdade é bem outra. Por exemplo, esse famoso texto da saudação angelical teve sua lição original alterada, sim, mas na tradução chamada Vulgata, a versão oficial da Igreja Católica. As testemunhas do Novo Testamento usadas por Jerônimo, o tradutor católico, têm esta lição: "Χαῖρε, κεχαριτωμένη..." Cháire, kecharitoméne; lit.: "alegra-te, favorecida"! Foi essa a saudação do anjo Gabriel, que nem usou o nome Maria, nem lhe conferiu o múnus de “cheia de graça”, como consta da Vulgata, mas saudou-a elogiosamente por "agraciada...". Aliás, o grande teólogo batista A. T. Robertson (1863-1934) verteu a expressão por “altamente favorecida”.

“Agraciada...” é a leitura das testemunhas originais. O grego κεχαριτωμένη kecharitoméne é um particípio passivo do verbo χαριτόω charitóo, favorecer, dotar. Como o verbo está na voz passiva, a tradução literal é: ser favorecida com graça, ou, ser dotada com graça. Observe pela semelhança das letras (o leitor que não lê grego) que a palavra graça (gr. χάρις cháris) está embutida no verbo χαριτόω charitóo.
 Pergunto: De onde vem a adulteração? Quem corrompeu o texto? Foi a Vulgata. Ao traduzir esse texto, Jerônimo, além de relegar a importância da construção passiva, em oposição ao autor inspirado, introduziu no texto a expressão “Ave, gratia plena ...", salve, plena de graça, ou, salve, cheia de graça. Assim, o tradutor católico, a seu próprio talante, subtraiu a lição do hagiógrafo, corrompeu-a, e passou a afirmar que Maria, a mãe do Salvador, tem poder para conceder graça. Mas a Escritura afirma ser ela receptora da graça [gr. κεχαριτωμένη].

"Cheia de graça..." não existe nas Escrituras, a não ser no sentido de uma pessoa ter sido favorecida com graça (voz passiva), ser enchida com graça (voz passiva), como é o caso da mãe do Salvador, e nosso também, no mesmo sentido, como João, o apóstolo, garantiu: Todos nós "recebemos graça” de Jesus (João 1.16). Somos receptores, não concessores.

 "Cheio de graça". Se aceitamos por verdade inerrante o testemunho das Escrituras, só Jesus é “cheio de graça”. Ele é a graça que “foi manifestada [no Natal] trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2.11). O apóstolo João fala explicitamente sobre isso: "O Verbo [Jesus] se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade" (João 1.14).

 “Cheio de graça...” gr. πλήρης χάριτος pléres cháritos. Diferentemente da expressão κεχαριτωμένη kecharitoméne, “agraciada”, o apóstolo João define Jesus com o adjetivo πλήρης pléres, cheio + o genitivo χάριτος cháritos, de graça. Jesus, e somente ele, é "cheio de graça". Todos nós "recebemos” dele, da plenitude dele, “graça sobre graça" (João 1.16). Inclusive Maria, a bendita mãe do nosso Salvador Jesus.

Portanto, "cheia de graça" e "agraciada" são expressões diametralmente opostas. Maria, entendendo muito bem isso, respondeu em seu cântico: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva" (Lucas 1.46-48). Ela recebeu graça, a graça de se tornar a mãe do Filho de Deus, o homem Jesus.

As igrejas estão cheias de pessoas que querem ouvir o que agrada aos ouvidos (2Timóteo 4.3,4), não importa se a doutrina é apostólica ou não. E alguns líderes se deixam seduzir por aquilo que enaltece, que produz elogios, que atrai, mas não convence do pecado. Só há uma verdade a ser pregada: a Palavra de Deus, que nem sempre agrada. Paulo ensina ao pastor Tito e a nós: “Tu, porém, fala o convém à sã doutrina” (Tito 2.1).

Autor 

Pastor Pedro Moura

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O VERDADEIRO NATAL

                              

Festas, alegrias, risos, cânticos, danças, cores, brilhos, luzes, presentes, confraternização, pressa, compras, doações, generosidades, afagos, abraços, felicitações, saudações, olhares altruístas, mesas, comidas, jantares, encontros, lembranças, cartões, enfeites, ornamentação, brindes, família em reunião calorosa, cerimonias, comemoração, solenidade, rituais, músicas nostálgicas....

Embora sazonais, temporais, anuais, derivam do epicentro da causa causadora: uma Pessoa que renunciou o aconchego do seu lar-além, paraíso indescritível, glória inefável, para viver entre mortos, mortos de desejos, mortos de pecados, mortos de violência, mortos sem paz

Todavia esse natal que se consome é periférico.

Natal não é impessoal, não é um evento, não é uma data de clima sócio religioso.
Natal é uma Pessoa que É, Esta, que vive, que é presente, em todo tempo, em cada momento.

Natal é a presença de Alguém que veio ficar conosco, sem razão, sem restrição, para cada um, para todos, para quem crer, quem aceita, para quem deseja o bem.
Natal é todo dia, em todas as horas, minutos, segundos... vai além do tempo, é eterno que se temporiza, que nos eleva, nos leva, nos constrange para o lar, lar-além, na eternidade onde natal nunca para, nunca se desmancha em carnaval, em páscoa; prevalece sobre todos, sobre tudo.

Natal é uma Pessoa, é Verbo, é Leão e Testemunha fiel, é o Santo de Deus, é O que era, O que é e O que há de vir, o Todo Poderoso, o Alfa, o Ômega, o Princípio e o Fim.
É o Rei dos reis, Senhor dos senhores, que governa, e para quem convergem todas as coisas.

Natal é o Emanoel que diz eis-me aqui!

Natal é JESUS que venceu a morte, que perdoa, que salva, que muda, que liberta.
Que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Por Jaasiel Jairo Rocha.
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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

                                                                       
                           



                        Salmos 4.1-8
Responde-me quando clamo, ó Deus que me faz justiça! Dá-me alívio da minha angústia; Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
Até quando vocês, ó poderosos, ultrajarão a minha honra? Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras?
Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar.
Quando vocês ficarem irados, não pequem; ao deitar-se reflitam nisso, e aquietem-se.
Ofereçam sacrifícios como Deus exige e confiem no Senhor.
Muitos perguntam: "Quem nos fará desfrutar o bem? " Faze, ó Senhor, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!
Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho.
Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.

Remoendo o Salmo 4

Quando passamos por lutas e provações, podemos nos lembrar de que em ocasiões passadas, mesmo, no meio da angústia, já estivemos bem e atravessamos tempos sombrios. Podemos confiar na misericórdia de Deus. Por isso, oremos confiantemente ao Deus que nos aceita e não rejeita nossas orações, certos de que somos ouvidos e atendidos.

Sempre houve e haverá aqueles que não acreditam na força do bem e no poder do amor. Mas, em meio à descrença, você e eu podemos esperar nas manifestações graciosas de Deus, e no seu olhar luminoso sobre nossas vidas. Se inimigos nos difamam, transformando nossa honra em desonra, entendamos que o amor dos homens via de regra é direcionado àquilo que é vão e fútil e seus motivos não são baseados na verdade. Precisamos sempre entender que Deus trata com singularidade aqueles que o servem com inteireza de coração, e podemos estar convictos de que Deus nos ouve cada vez que clamamos por Ele.

Quando alguma situação constrangedora nos provoca ira e revolta, façamos um autoexame para ver se temos alguma responsabilidade na situação. Resolvamos o que tem que ser resolvido, mas não direcionemos a energia da ira contra nós mesmos, nem contra pessoas e nem contra Deus.

Infelizmente, aqueles que se recusam a andar com o Senhor, não terão muito mais que um sorriso plástico, mesmo quando desfrutam fartura e prazeres. No entanto, o coração de quem comunga com o Pai, goza alegria verdadeira, e experimenta a força dessa alegria nascida dEle.

Para não perder esse bendito gozo, tratemos o que em nossa vida tem de falho e tem que ser tratado, mas descansemos em paz. Lidemos com a ira, acordados; ira dormida se torna em mágoa, às vezes profunda, e não podemos dormir com essa inimiga. Ao mesmo tempo, estejamos também conscientes de que muitos dos nossos problemas podem ser tratados nos dias seguintes.

Assim, cuidemos do nosso coração e da relação com nosso Deus e com nosso próximo, confiemos totalmente nEle, e durmamos. Não há melhor sonífero do que um coração em paz, um corpo cansado de atividades honrosas e uma grande confiança em Deus, que nos faz viver e dormir seguros."

 Por Valmir Brisola         
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

A LUTA CONTRA O PECADO
                        (Série Vida Cristã - I)

“Quando um homem se torna melhor, compreende cada vez mais claramente o mal que ainda existe em si. Quando um homem se torna pior, percebe cada vez menos a sua própria maldade” (C. S. Lewis).

A humildade é um claro sinal de maturidade cristã na jornada em busca de uma vida íntegra, pois é fruto da compreensão da nossa total dependência de Deus. Quanto mais buscamos uma vida íntegra na presença de Deus, mais somos confrontados pelo Espírito nas áreas da nossa alma que precisam de conserto, perdão, libertação e cura. E esse confronto gera um espírito de humildade, pois percebemos quem somos e o quanto necessitamos do Senhor em nossas vidas. Outro sinal de maturidade cristã é o contentamento, pois não nos aproximamos do sol ao meio dia sem percebermos a sua luz. Ao nos aproximarmos do Senhor perceberemos, sempre, a Sua bondade nas pequenas e derradeiras coisas da vida. Se você deseja avaliar o crescimento espiritual de um amigo, ou seu próprio, observe a humildade o contentamento.

Devemos lembrar que a busca pela integridade denuncia o pecado. Richard Baxter, teólogo e homem piedoso, autor de mais de 130 livros, afirma em seu livro ‘O pastor aprovado’ que "é mais fácil julgar o pecado que dominá-lo” e desafia-nos a vigiarmos para "não suceder que convivamos com os mesmos pecados contra os quais pregamos”. Em Gn 17:1 lemos que Deus disse a Abraão: “Eu sou o Deus todo poderoso; anda na minha presença e sê perfeito”. Andar na presença de Deus leva-nos ao caminho da perfeição na mesma medida que andar em Sua presença aponta de forma clara as nossas imperfeições. 

No processo de santidade o pecado precisa ser denunciado. Não nos tribunais humanos ou nas conversas de bastidores, mas no encontro do pecador com Jesus. Um dos grandes desafios cristãos é definirmos o pecado biblicamente (aquilo que terrivelmente nos afasta de Deus) e não sociologicamente, em uma escala de intensidade daquilo que é mais ou menos aceito pela sociedade. Ao falarmos de pecado vem à nossa mente o que rotulamos como pior ou inaceitável, como o roubo, a traição e o assassinato. Outras sociedades também possuem suas compreensões do pecado em diferentes graus de intensidade. Entre os Konkombas de Gana o maior pecado é mentir. Entre vários indígenas da Amazônia é ser avarento, ou sovina, como se referem. É preciso, porém, observar que o pecado, mesmo não embutido de um simbolismo socialmente degradante, igualmente nos afasta de Deus. Facilmente censuramos a embriaguez, mas não confrontamos a gula. Apontamos para a falta de domínio próprio nas explosões físicas e verbais, mas convivemos pacificamente com a inveja. Iramos contra a corrupção pública, mas somos tolerantes com as trocas e a manipulação política na igreja.

Quando Paulo nos advertiu dizendo que a carne luta contra o Espírito e este contra a carne, enfatiza que não derrotaremos a carne lutando contra a carne. A carne será derrotada ao sermos cheios do Espírito (Gl 5.17). Isto não dilui a necessidade de estarmos alertas, pois somos encorajados a resistir ao pecado (1Co 10:13), visto que o pecado está à porta e a nós cumpre dominá-lo (Gn 4.7). Significa que os processos de transformação que contrariam a carne se darão pela presença e atuação do Espírito Santo em nossas vidas – e  possivelmente uma das primeiras ações do Espírito é injetar repúdio ao pecado em nosso coração. O maior passo para uma vida íntegra e santa é sermos cheios do Espírito. 

Homens maduros e com longo tempo de liderança do povo de Deus sistematicamente nos alertam para o cuidado com a vida devocional. Richard Cecil expressa que o principal defeito dos ministros cristãos está centrado na deficiência quanto ao hábito devocional. Edward Bounds, citando Robert Murray McCheyne em seu belo texto ‘Comece o dia em oração’ , alerta: “Eu sinto que é muito melhor começar com Deus – ver a Sua face primeiro, elevar a minha alma para junto do Senhor – antes de me aproximar dos outros”.

João Calvino, reformador e teólogo, registra nas ‘Institutas da religião cristã’ que “Nós não somos nossos, portanto não definamos nossos próprios planos e caminhos de acordo com a nossa vontade. Nós não somos nossos, portanto lutemos para esquecer de nós mesmos e de tudo o que é nosso. Somos de Deus, vivamos para Ele e morramos para Ele. Somos de Deus, assim deixemos que a Sua sabedoria guie nossas ações. Somos de Deus, portanto busquemos que o maior alvo de nossas vidas seja, em todas as coisas, irmos ao Seu encontro”.  

Para os líderes cristãos uma das maiores barreiras para uma vida devocional é o próprio ministério. Por possuirmos um envolvimento integral com o ministério é fácil não termos tempo para a oração, leitura e reflexão pessoal e devocional na Palavra, pois estamos ocupados trabalhando para Ele. Tento manter minha mente dirigida pelo comentário de Jesus sobre Marta e Maria . O trabalho que Marta realizava era legítimo, valioso e honroso. Era para o Mestre. Ela desejava ter a casa arrumada e a comida pronta. Ela desejava servir a Jesus e o fazia com competência. Maria, porém, estava aos Seus pés e esta escolheu a melhor parte. O serviço que posso prestar para o Senhor jamais deve substituir minha vida com Ele e meu tempo com Ele. A melhor parte a que Jesus se refere não está ligada tão somente ao desejo do Mestre, mas sim à necessidade de Maria. Ela precisava estar aos Seus pés. 

A melhor parte não é apenas um ritual que agrada a Deus, mas também um elemento que sacia a nossa alma e nos dá direção. Sem estarmos com Ele, o serviço eventualmente também perecerá. Teremos perdido a visão do alto, o rumo certo, as motivações bíblicas que antes estavam em nossos corações, a brandura no relacionamento, a paixão por Ele e pelos perdidos. Teremos, enfim, apenas uma casa bem arrumada, com uma mesa posta, bonita, e comida quente. E só.

Devemos lidar com o pecado tanto em uma esfera subjetiva, suas motivações e tendências, como de forma prática e objetiva. C. S. Lewis nos fala sobre o auto engano que interage com o pecado quando afirma que “um homem mediocremente mau sabe que não é muito bom; um homem inteiramente mau pensa que é justo ”. Expõe, assim, a mundana tendência de lidarmos com o pecado através de ilusões e fantasias, não da verdade.

Creio que boa parte dos problemas ligados à vida cristã, liderança e relacionamentos, são resultado de questões espirituais. Observando de longe percebe-se o conflito entre pessoas, a dificuldade em perdoar, a complexidade das demandas, a intolerância pessoal e os erros recorrentes. A raiz desses processos, porém, é espiritual. Não são consertados por livros de autoajuda ou pelo estudo das 20 regras para tornar-se um bom cristão. São coisas do coração. Boa parte dos conflitos que drenam nosso tempo e energia não aconteceriam se, na luta contra o pecado, tivéssemos uma vida devocional melhor – se estivéssemos aos Seus pés e não apenas arrumando a casa. 

Ronaldo Lidório
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quinta-feira, 25 de maio de 2017


                                                                       
                                                                       ENTREGA


Deixe pra lá! Releve! Perdoe!
   Tenho percebido que essas são palavras difíceis para algumas pessoas, e fáceis para outras. E o que está por trás dessas atitudes me intriga.
   Parece que algumas pessoas têm uma grande capacidade de “deixar pra lá, de relevar uma ofensa, de esquecer um agravo." É como se não se apegassem às coisas. Na hora da perda, não sofrem muito. Porém, não lutam tanto pelo que acham importante. Sem luta, não há vitória.
   Outras parecem incapazes de abrir mão. Então, tudo o que a vida lhes tira, produz a dor de um assalto, de uma violência.
    Entre estas últimas, as que mais me chamam atenção são aquelas que não “abrem mão” de suas razões. Seja em uma simples conversa, que acaba em discussão, seja em uma questão de direito, apegam-se às suas razões até às lágrimas. E se, após muitas lutas, essas coisas lhe são “tomadas”, entram em desespero de morte.
     As pessoas do primeiro grupo sofrem menos, por não se apegarem demasiadamente. Não lutam tanto, não retêm tanto. Não perdem muito, mesmo quando são abusadas.
      Entretanto, conheço gente que é capaz de se lembrar de todas as violências sofridas ao longo da vida. Coisas que lhe foram tiradas, batalhas perdidas, conversas encerradas, desconsiderações, injustiças, votos vencidos, estão todos lá, no depósito de passivos, de haveres, aguardando ressarcimento.
        Sim, a vida (que acaba assumindo nomes de pessoas) lhes deve. Se algo nunca foi entregue, então lhes foi tomado. Se nunca foi perdoado, ainda é “dívida ativa”. Se nunca foi esquecido, está registrado para oportuna cobrança.
         Talvez uma pessoa assim considere aquele que “deixa pra lá” um leviano. E talvez o que releva e esquece considere aquele que não “abre mão” um infeliz briguento.
         Lembro-me de ter “deixado pra lá” direitos de consumidor, só para não arranjar briga. Porém, lembro-me de ter “pendurado” ofensas, aguardando o pedido de desculpas. Recordo-me de ter dado razão a quem não a tinha, para preservar a amizade, e de ter “aberto mão” da amizade por não achar justo “deixar barato”.
         Certa vez, deparei-me com uma frase usada em um curso para noivos: “O que você prefere: ter razão ou ser feliz?” – como que a dizer que, se eu quisesse ter sempre razão, seria infeliz! Será que essa pergunta não nos ajudaria a definir melhor a qual grupo pertencermos?
          Eu confesso: naquele exato momento me descobri preferindo ter razão. E argumentei para mim mesmo que a felicidade, à custa do que é certo, não vale a pena. Senti-me como a formiga invejosa, criticando a alegria “irresponsável” da cigarra.
          Nesse momento, ouvi a palavra de Paulo aos coríntios conflagrados: “[...] por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? (1 Co. 6.7).
          Ocorre-me então que talvez a atitude correta não seja o “deixar pra lá”, mas a entrega. Em vez de esquecer, entrego meus direitos, bens e razões ao reto juiz. Assim, as coisas não ficarão sem consequência, sem julgamento, sem resposta. Contudo, estarei “deixando pra lá”, em um ato de fé, para ser feliz.
          Imagino que, por este caminho, Deus me acrescentará o orar pelos meus inimigos e me alegrará ao vê-los abençoados.

Por Rubem Amorese (Revista Ultimato).
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